Preconceito

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   Penso que uma das grandes chagas da humanidade seja o preconceito. A própria palavra em si já define a situação. Pré significa antecipado, precipitado. Conceito é uma definição sobre qualquer assunto, um juízo de valor, uma qualificação dada a um fato, assunto, pessoa ou questão que envolve os chamados seres humanos.

  Antigamente as pessoas portadoras da hanseníase, a outrora chamada lepra, em virtude da falta de tratamentos efetivos e um possível contágio eram segregadas do convívio social. Eram levadas para áreas afastadas, muitas vezes até para morrerem ao léu, sendo abandonadas. O medo que envolvia os não leprosos e o preconceito contra os doentes fazia com que tomassem nojo diante dos mesmos.

    Graças a Deus e aos avanços da Medicina hoje em dia, a hanseníase é uma doença totalmente curável, desde que o paciente siga o tratamento até o final. Mas uma herança ficou e que se estende para tudo que não se enquadra na esfera do “normal”, do socialmente “aceitável” : o preconceito.

    Ninguém que tenha hipertensão, diabetes, enxaqueca, etc sofre qualquer tipo de discriminação por parte da sociedade. Ao contrário, há pessoas que, de tão enfermas da alma, inconscientes dos seus recursos de cura interior, dizem até com a maior intimidade: “a minha enxaqueca hoje está muito forte”, “não vou sair porque minha bursite está me atacando”. Não sabem elas que ao fazer isto estão programando-se para perpetuar o quadro do que padecem, haja vista o poder da palavra e da intenção.

    As pessoas que sofrem de doenças mentais como depressão, transtorno bipolar do humor, esquizofrenia,T.O.C., pânico já não gozam de tal privilégio. Sofrem um preconceito ao que comparo como sendo a “lepra moderna”. Normalmente começam a enfrentar a incompreensão dentro da própria família. Muitas vezes até bem intencionadas agem de uma forma na tentativa de “ajudar” e terminam prejudicando o doente.

    Em vez de buscarem informação de qualidade sobre o que é uma doença mental, sobre o fato de que não é: “frescura, encosto, preguiça, falta do que fazer, falta de força de vontade”, entre outros clichês do gênero, tudo isto causado pela mais profunda IGNORÂNCIA, ficam rotulando o doente. Ninguém adoece porque quer. Adoecer é uma possibilidade pelo simples fato de estar num corpo físico e todos podemos adoecer do corpo, da mente e do espírito.

    Há um excelente site que trata do tema, cuja proprietária, a atriz, roteirista e diretora de cinema, Ana Maria Saad, o http://www.pensamentosfilmados.com.br,  disponibiliza gratuitamente informações de qualidade sobre praticamente todos os transtornos do humor e alternativas de tratamento, desde a Medicina alopata até a moderna Medicina Integrativa.

    O preconceito só tem uma função: ele serve para desagregar as pessoas, a despertar e ativar o lado sombrio do ser humano e isso serve às forças negativas que estão no poder (a mídia em geral, as religiões, o Estado). Buscam através dele, DIVIDIR o ser humano, segregá-lo, colocar nele a ilusão que deve seguir um determinado padrão de pensamento, conduta , a fim de ser um boneco manipulável.

    A tolerância, o não julgamento me parecem ser virtudes necessárias de desenvolvermos, de exercermos, pois o mundo em que vivemos já se encontra muito dividido.

    As pessoas que têm uma doença mental ou qualquer outro tipo de doença não precisam da pena, do ódio, do medo e muito menos do preconceito de ninguém. Infelizmente, segundo dados da O.M.S. (Organização Mundial de Saúde), brevemente estaremos vivenciando uma epidemia de depressão. A doença é altamente democrática, atingindo pessoas de todas as classes sociais, raças e escolaridade.

    Eu, por exemplo, neste momento apresento um quadro de depressão. Sinto-me muito bem e , apesar de conviver com esta doença, ela é apenas a expressão de uma parte de mim. Todo ser humano, até  os ditos “saudáveis” têm uma parte  doentia e outra saudável. A depressão está longe de ser aquilo que me define, pois o que me define é aquilo em que eu coloco meu foco. E eu sou Mestre de Reiki, massoterapeuta, professor de automassagem chinesa, bacharel em Direito, cantor, compositor, arranho um violão, cidadão consciente, um ser humano com defeitos e virtudes, como qualquer outro.

    O conceito de saúde e de doença são extremante relativos vistos a partir do paradigma holístico,  e até por algumas correntes da Psicologia. O que é ser saudável? É não ter nenhum tipo de doença, quer seja física ou emocional? O que é ser doente? É não ter nenhum sintoma físico, psíquico, é pensar igual a todo mundo? Todo mundo é ou tem de pensar igual? Não seremos nós seres únicos e que precisamos honrar e abraçar essa individualidade a fim de sermos felizes e realizar nossas metas?

    Será que não há também doenças da alma, como o egoísmo, a mesquinhez, a hipocrisia, o orgulho, o preconceito (olhe ele aqui de novo, lembram?) a falta de opinião crítica, a falta de amor? Eu acho que sim. Sendo assim, todos, independentemente de terem sido diagnosticados ou apresentarem qualquer distúrbio psíquico, não têm um lado doente e outro saudável?

    A depressão não é aquilo que me define, assim como meus medos, ou minha coragem, a minha visão ou a falta dela, afinal há tanto a aprender ainda…

    A pessoa é que se define. Somos seres em eterna definição. Se focarmos no nosso lado doentio, só vamos ver e manifestar doença. Se focarmos no nosso lado saudável iremos ver e manifestar saúde, Luz. E todas as práticas terapêuticas visam resgatar esse lado saudável, entrar em conexão com ele, como as Terapias Integrativas e a Medicina Integrativa que vêem o ser humano não como um conjunto de sintomas que precisam ser suprimidos, porque “o sofrimento não é bom, nem mau, ele é funcional”(Luiz Gasparetto).

    A doença pode ser uma oportunidade, um chamado para que a pessoa pare. E, através das terapias, procurar se conhecer, fazer um mergulho interior, adquirindo assim o maior bem desta vida:o autoconhecimento. Mas, para isso , é preciso  querer, procurar e investir. Ninguém pode ajudar alguém que não quer ser ajudado. Se a pessoa buscar bons profissionais e se dedicar aos tratamentos é possível ser feliz e produtivo mesmo tendo depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e demais doenças.

    Porque ser feliz é uma escolha. E nós sempre temos escolhas. O poder de mudar está dentro de nós. A dor não é o “mal”, o sintoma não é o “inimigo”. Eles são sinais indicativos que algo não está bem dentro de nós. E existem saídas.

    Espero que as pessoas que leram esse texto que sofrem de alguma doença ou transtorno psíquico sintam-se estimuladas a não se rotularem e a não se deixarem intimidar por quem quer que seja ou pelo sofrimento. Acreditem: há saídas. Mas não há um remédio único para todos os doentes. Por isso defendo o enfoque da Medicina Integrativa, que usa uma abordagem multidisciplinar e que respeita a essência do paciente. A Medicina Alopata também pode dar bons resultados, cada organismo é único. Cada pessoa tem que contruir seu caminho de tratamento. Procurem se informar dos muitos caminhos e abordagens que existem, mas o fundamental é não desistir de si mesmo.

    Espero que os leitores que não apresentam nenhum distúrbio mental, mas que conhecem alguém, convivem com um familiar, amigo que tenha, façam uma reflexão sobre as palavras escritas. Façam o seguinte exercício: “Poderia ser eu a passar por tal situação. Como eu gostaria de ser tratado se passasse por isto?”. Fazer este exercício desenvolve em nós a empatia, a tolerância. Trate o outro como gostaria de ser tratado, pois o que você dá volta às suas mãos. O mundo já se encontra muito dividido. Vamos passar a somar. Vamos começar a vencer os nossos próprios preconceitos. Abraços.

                                         Sérgio Pinheiro Paffer.

 

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