A experiência de atender pessoas em estado terminal.

 

 

 

    Na minha experiência profissional enquanto terapeuta tive a oportunidade de fazer atendimentos a pessoas em estado terminal. Atualmente não faço mais este tipo de atendimento, mas gostaria de compartilhar com os leitores, em especial com os colegas que são terapeutas, a rica experiência colhida.

    Neste tipo de situação, em que até para Medicina o indivíduo encontra-se numa situação em que seu quadro de saúde não apresenta mais possibilidade de reversão, a atuação das terapias integrativas, mostra-se muito válida.

    É um momento difícil para a família e o terapeuta tem que ter uma grande sensibilidade para respeitar e ser solidário e compassivo ainda mais do que o usual. Alguns familiares até se iludem, esperando que a terapia integrativa possa fazer como que um milagre e “salvar” seus entes queridos. Mas os fatos demonstram o contrário, e nenhuma terapia integrativa ou a própria Medicina pode impedir que uma pessoa parta quando realmente é chegada sua hora de partir.

  Por isso é importante deixar bem claro para os familiares do receptor os limites e como a terapia empregada pode atuar. É uma questão de ética e obrigação profissional.

    Mesmo não podendo impedir o desenlaçe, as terapias integrativas podem dar ao indivíduo em estado terminal uma qualidade de morte. Sim, porque a morte é um processo natural para o qual a imensa maioria das pessoas na cultura ocidental não gosta de falar e se preparar para este momento. Já nas culturas orientais e indígenas este momento é encarado por uma outra perspectiva. No entanto essa é a única certeza como se diz popularmente. Um dia todos iremos morrer.

    A experiência que posso dizer no meu caso, foi que as práticas integrativas utilizadas traziam uma tranquilidade visível ao receptor, abrandando suas dores, suavizando todo este processo. Particularmente, a Terapia Reiki mostrou-se muito eficaz neste sentido e como a atuação da energia Reiki vai além do corpo físico, atuando nos corpos de energia, os receptores dormiam mais, inclusive havendo uma nítida diferença em seus semblantes na comparação entre o antes e o depois da aplicação da Terapia, fato este constatado pelos próprios familiares.

    A Terapia Reiki tem sido utilizada bastante em ambientes hospitalares, e, inclusive, tive a oportunidade de atender um cliente num conceituado hospital da minha cidade fora do horário das visitas. A enfermeira chefe já conhecia e reconhecia a eficácia do Reiki e me permitia entrar, pois uma pessoa na u.t.i. só pode receber visitas em horários pré-determinados.

    A riqueza dessa experiência para mim foi muito grande. Pois saber que num momento tão difícil para a maioria das pessoas, de alguma maneira pude contribuir como um canal de uma energia que transmite paz e tranquilidade, que minora o sofrimento é muito reconfortante.

    Aprendi muito com meus clientes que atendi em hospitais. Por mais oposto que pareça, quando nos defrontamos com a morte, valorizamos a vida. Presenciamos um número grande de profissionais da área de  saúde que lutam incessantemente para aliviar este sofrimento, assim como os familiares. Aí vemos que muitas vezes nos chateamos por tão pouco, achamos que temos os piores problemas, enquanto estes guerreiros lutam pela vida, ficam incapacitados de se mexer, e mantêm sua dignidade.

    E assim, já que não há uma possibilidade de melhora ou cura, chega o momento do repouso final. No estado terminal podemos dizer que a morte é a cura para o indivíduo que viveu sua jornada neste plano. Que todos nós possamos fazer nossas vidas valerem a pena, para que quando chegue nossa hora de partir possamos seguir em paz.

                                                Sérgio Pinheiro Paffer

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    Foto: Reprodução.

    

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4 respostas em “A experiência de atender pessoas em estado terminal.

  1. Achei interessantíssimo suas palavras neste contexto!!! Fiz a terapia Reiki algumas vezes e senti uma harmonia e leveza incrível no meu corpo. A denominação “qualidade de morte” é inovadora na minha perspectiva de vida. Muito obrigado! Fique com Deus querido amigo. Abraços!
    Euro Nascimento.

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    • Pois é Euro, pra mim também, antes de vivenciar esta experiência, foi um grande desafio. Mas que foi muito reconfortante e rico o aprendizado colhido. Como falei no post, na nossa cultura ocidental, em geral, não somos preparados para a morte, um momento que faz parte do ciclo da vida e pelo qual todos inevitavelmente iremos passar.
      Então neste tipo de situação, como você mesmo vivenciou, a leveza, o amparo que a Terapia Reiki traz para o doente é muito importante, ajudando o mesmo a lidar com este momento com mais serenidade, minimizando as dores, acalentando sua alma. Eu é que lhe agradeço pela valorosa participação e por compartilhar comigo e com os leitores sua vivência. Fica com Deus também. Abraços.

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  2. Sérgio! Sua sensibilidade o levou a abordar o tema, de forma que muitas pessoas veem a morte.Gostei! Sabe. Eu tb não gostava do assunto, mas depois de dezoite dias em coma, por conta de AVC isquêmico de gdes proporções. Aprendi a valorizar a vida e perdi o medo da morte. Entendi, um pouco tarde, que precisamos nos cuidar que a prevenção é muito importante e curtimos cada bom momento , mesmo os mais simples e sem reclamar de coisas pequenas. Sei a importância da verdade e carinho que as famílias precisam quando um membro delas está no hospital.Parabéns por sua atitude e a paz que vc deve transmitir a todos. Belo trabalho!
    Bjos de luzzzzzz

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    • Muito obrigado Walkyria. A morte faz parte da vida. A cada momento nossas células são renovadas, nosso sangue é renovado, o oxigênio é renovado a cada respiração nossa. É que a cultura oriental e os povos mais antigos já observavam esse fenômeno e para muitos a morte é uma passagem.
      A doença é uma oportunidade de revermos determinadas posturas, valores e por mais que tenhamos perdido, há um ganho. Vivemos numa sociedade doente, que vive para o ter, em detrimento do ser. E assim, diante de perdas, se mantivermos o nosso foco na nossa melhora, podemos dar um outro sentido ao que nos aconteceu.
      Agradeço por compartilhar comigo e com os leitores do blog seu depoimento. Temos mais força do que supomos. E às vezes é no sofrimento que descobrimos nossos potenciais, pois a força divina habita em todos. Fico grato pela sua participação e seja bem vinda. Abraços.

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